Quinta-feira, 30.10.14

A África não existia!

Porque este blog é de "faits divers" não abordo aqui assuntos sérios, já bastam os muitos que por aí se escrevem! Porém andando a remexer ali na minha "arca dos tesouros" encontrei este postal que uma colega minha me enviou pelo Natal de 1997! O cartão foi editado pela UNICEF, e como se pode ver, para a instituição, a África não existia!! Imperdoável, mas talvez só os mais atentos dessem por isso. Teria alguém reclamado? Há 20 anos quando os computadores ainda não nos tinham entrado em casa era difícil expressarmos a nossa repulsa imediata sobre este e outros "atentados"...

Se fosse hoje, tenho a certeza que eu seria uma das que não teria pensado duas vezes em divulgar semelhante afronta. Acho que até me converteria ao Fb, ao Twitter e outros para o divulgar pelo mundo. Mas já passou a oportunidade!

Essa "não existência" certamente terá tido repercussões que hoje lamentamos!

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publicado por naterradosplatanos às 09:33 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Segunda-feira, 27.10.14

E por aí...

O céu estava cinzento, mas o mar calmo. Talvez por ser fim de semana não se viam barcos a sair, nem lá ao longe... Talvez por ser fim de semana, os pescadores à linha lá estavam no molhe tentando a sua sorte... pescar á linha deve ser um exercício de paciência mas lá estão eles de forma persistente para eventualmente verem reluzir na ponta da linha o peixe que se contorce... Uns chegam ao molhe a pé carregando o balde numa mão, na outra a cana e nela a linha oscilante, outros trazem tudo em equilíbrio instável na bicicleta, tal como o que deixou esta aqui encostada.

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publicado por naterradosplatanos às 20:05 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Quinta-feira, 23.10.14

O amolador de tesouras e o homem das bolas de sabão...

Estava eu no meu 2º ano da Faculdade e parece que só nessa altura aprendi alguns sinais de crise. Eu era uma miúda vinda lá do Nordeste transmontano onde tudo me parecia ser igual ao que sempre tinha sido. A nossa família não tinha dificuldades, embora a minha mãe sempre nos dissesse que não podíamos fazer despesas desnecessárias...

Havia rádio e jornal diário (Primeiro de Janeiro) quer em nossa casa quer na dos meus avós. O meu pai ouvia e lia as notícias mas não as discutia de forma a nós nos apercebermos, apenas me lembra de uma vez o sentir irritado por ter havido aumento da gasolina! Assim caí em Lisboa absolutamente ignorante em política e com o que a ela se associa...

No meu 2º ano tive o professor Orlando Ribeiro como professor e foi com ele que comecei a ver o Mundo de outra maneira!

Lembro-me, como se fosse hoje, do dia em que nos deu como sinal de crise o "amolador de tesouras" aquele que empurrando uma bicicleta, sempre gasta, ia tocando realejo... Estou a ouvi-lo dizer que sempre que o desemprego se instalava ou os salários eram magros havia que recorrer a estas actividades que caracterizam o subemprego.

Hoje, apesar da crise, já não é comum ouvir a flauta que o anunciava, também já não se afiam facas, não se arranjam guarda chuvas e muito menos se deitam pingos nos fundos das panelas!

Mas hoje há muitas outras situações que nos remetem para as dificuldades da vida...

Magro, sujo, desdentado fascinava no entanto as crianças que passavam oferecendo-lhes a possibilidade de verem ali o arco-íris. Dois pequenos paus, um fio e um balde, uma poção mágica. Uma reviravolta com os braços e ali estavam, um dois, três grandes balões de vida efêmera.

Ao lado, uma caixa onde iam caindo algumas moedas... image.jpg

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publicado por naterradosplatanos às 21:18 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Domingo, 19.10.14

Home made...

O Outono, é o tempo das compotas, da marmelada, da geleia... Já pouco faço dessas coisas deliciosas porque cá, na família, todos têm medo da balança e dos males do excesso de açúcar... Assim sendo só quando quero mimar alguém é que me dou a esse trabalho o que foi o caso de hoje, domingo de Sol com temperaturas de Verão! Aqui vai a prova, tudo "home made"

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publicado por naterradosplatanos às 17:49 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Quarta-feira, 15.10.14

Uma pessoa (professora) extraordinária!

 

Conheço-a há muito tempo, nunca foi minha aluna mas era aluna quando eu era professora. Foi para a faculdade e regressou como colega, hoje conto-a entre as minhas amiga! O seu ótimismo é contagiante, e o seu humor tão extraordinário que não poucas vezes nos deixa sem palavras.

Dada a grande produção de dióspiros e de marmelos lembrei-me de lhe levar alguns, já que mora aqui no bairro, embora não nos vejamos com frequência.
Falamos de tudo um pouco e invariavelmente da Escola que foi a minha e que agora é a dela. Quis eu saber das turbulências deste início de ano conturbado, das turmas que tinha, dos alunos que são os seus...
Foi, aquilo que me disse, quando toda a gente se queixa, que me faz continuar a admirá-la e que motivou este post.

Sente-se feliz na escola, quando todos se sentem infelizes com o que fazem.
Vai com gosto para as aulas quando muitos sentem que é um suplício.
Diz que os seus meninos se comportam bem sem problemas de disciplina, quando todos os outros consideram que hoje em dia são todos impossíveis de manter sequer quietos...
Falou-me com paixão do desafio de ensinar uma aluna surda-muda e de como, não tendo por enquanto tradutora gestual, as duas se entendem...
Com graça disse-me que tem alguém lá em cima (céu, ministério?!) que lhe distribui sempre as melhores turmas!!

Portanto não é de admirar que a Maria João seja uma daquelas professoras que facilmente podemos ver rodeada de alunos ou ser cumprimentada com um "olá professora" a toda a hora!

 

publicado por naterradosplatanos às 20:34 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Terça-feira, 14.10.14

Teclas...

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Hoje recebi esta fotografia que trazia a seguinte legenda: "O H. Já lê a pauta, o R. A aprender devagar, o pai da largas à fantasia..." Nenhum dos meus filhos aprendeu piano, Nesta cidade de província, há 30 anos, nunca se pôs a questão, os rapazes ainda tiveram aulas de flauta e guitarra, mas do esforço da mãe e da pouca apetência deles, não deu em nada! Já depois dos 30 o meu filho A. decidiu aprender a tocar piano e como em tudo o que ele decide fazer com paixão, aprendeu, comprou um piano e aplica-se! Entretanto a minha neta R. começou a aprender mas sem paixão, logo só premiu as teclas durante pouco mais de dois anos! Agora é a vez dos pequeninos, que começam agora com "o balão do João" e outras musiquinhas para a idade. Veremos como vai ser com eles!

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Sexta-feira, 10.10.14

Arrumações... e paciência

Arrumações... e paciência

As arrumações não servem só para arrumar como parece suposto. Para mim servem sobretudo para ENCONTRAR, exato, para encontrar...

 

Não poucas vezes espanto-me com coisas que encontro e de que já não sabia da existência!

O ano passado falei aqui das "limpezas alentejanas" e por isso agora só relembro que as verdadeiras pressupõem tirar tudo das gavetas, lavar, e voltar a colocar o que de lá se tirou.


Este ano só fiz isto em duas, a que no ano passado não chegou a vez. Aliás não se justifica que isso se faça todos os anos em gavetas onde nunca mais se mexeu...

Numa dessas, que foram alvo de tratamento profundo, encontrei um embrulhinho que já tinha sido aberto: o papel era azul com coraçõezinhos brancos, a fita da mesma cor. Abri-o e de lá saiu esta preciosidade

 

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Nessa altura o meu filho André tinha 8 anos e certamente não foi ele que recortou em feltro aquela pega para a cozinha! Aliás, ele era manualmente desajeitado e imagino o esforço que teria feito para escrever aquelas poucas palavras sobre as linhas traçadas a lápis pela professora!

Porque trago eu, aqui, aquele cartão escrito à tantos anos?
Não pelos "beijos e abraços" que me manda mas pelo que a seguir escreve:
"...E OBRIGADO PELA PACIÊNCIA."

O meu filho de 8 anos conseguiu verbalizar uma qualidade que sentia e apreciava em mim e isso deixa-me hoje muito, mas muito orgulhosa!

publicado por naterradosplatanos às 18:26 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Quinta-feira, 09.10.14

Frutos de Outono

O Outono está aí, verdade que o jardim estava a precisar de grande atenção mas em contrapartida os frutos próprios da época estão aí , muitos e grandes... Eis a prova

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publicado por naterradosplatanos às 08:28 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Segunda-feira, 06.10.14

No Areeiro...

Depois de dez dias por aí, aqui estamos de novo no Areeiro. O jardim estava muito "queixoso", a relva estava com um palmo, as petúnias secas pendiam já sem cor, folhas de outono arrastadas pelo vento acumulavam-se nos cantos... Isto do lado do olival que se estende para lá dos muros porque, do lado da frente estava como vêem

 

A buganvília continua exuberante até que os dias de chuva a dispam das flores...

 

publicado por naterradosplatanos às 20:58 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sábado, 04.10.14

Da Alameda ao Rossio...

Quando não tenho pressa desço na Alameda e ponho pés ao caminho Almirante Reis a baixo, sempre pelo lado esquerdo, se bem que não saiba bem porquê. Três quartos de hora depois estou no Rossio. Assim foi ontem logo cedo pela manhã. Sem preocupações fui apreciando quem ia à minha frente ou comigo se cruzava... Um pouco à frente de mim vejo um carro parar, de lá sai um adulto jovem que contorna o carro, abre a porta do outro lado e 'veste' uma mochila cor de rosa! Logo de seguida abre porta de trás e de lá tira uma pequenina que se lhe agarra ao pescoço... reparo então que entra numa porta ali ao lado, possivelmente na casa da avó! Continuo a andar, à minha frente de mochila pendurada num só ombro uma mãe 'arrasta' um pequenito que teima em não lhe acompanhar o passo, mais à frente e num prédio antigo reparo que já uma creche... Continuo despreocupada olhando, sem ver, o que está nas montras... de repente dou por mim a ler este anuncia colocado ao lado de uma das portas que davam para a arcada

 

Li uma segunda vez porque me parecia não ter compreendido, mas não, era isso mesmo: infantário aberto 24 horas por dia! Que profissão terão essas mães que precisam de ali deixar os filhos durante a noite? E depois como é quando os levam para casa e elas precisam de descansar de uma noite de trabalho? Continuarão as crianças no infantário? Refleti sobre isto e fiquei incomodada. Como nós e os filhos fomos felizes por virmos viver para esta pacata cidade alentejana! Primeiro na Praceta, depois no Areeiro onde, apesar de já fora da cidade, não estávamos a mais de mil metros da escola deles, da escola da mãe e do trabalho do pai. Até à hora do almoço estávamos todos juntos!

publicado por naterradosplatanos às 22:00 | link do post | comentar | ver comentários (4)

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