Segunda-feira, 29.08.16

Um terramoto contado na 1ª pessoa...

Os Apeninos movem-se com frequência, são um conjunto de montanhas geologicamente novas, logo turbulentas. A região do Friulli que fica na junção destes com os Alpes frequentemente treme...

 

No ano que estive em Itália assinalavam-se os 30 anos do terramoto que tinha assolado Udine, em termos absolutos! O acontecimento estava ainda bem presente nas memórias e foi falando da exposição, que estava então patente na Câmara, que a Luisa Antonelli me contou: "foi ao anoitecer no dia 6 de Maio de 1976, eu estava na casa da minha mãe em Gemona, tinha o Giovanni poucos meses, estávamos na relva a brincar quando a terra começou a tremer... Só me lembra de agarrar nele muito apertado ao coração e correr para a rua. O ruído das casas que se desmoronavam era ensurdecedor, a poeira, os gritos ainda me vêm aos ouvidos quando penso. Depois os dias que se seguiram e o constatar que nada nos restou, bens e memórias... Os meus pais também não sofreram fisicamente mas as mazelas psicológicas essas ficaram..."

Escrevi-lhe quando ouvi as notícias ela respondeu-me relembrando o que passou:

 

Dear Dalma, Thank you for your mail. You are right, this earthquake is really a disaster. Unfortunately we are used to it, you know that in 1976 we had a terrible one in Friuli, and especially my hometown was hit terribly. We had abou 1000 deaths, and now you can imagine how I feel when I hear the news!...

publicado por naterradosplatanos às 20:42 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Terça-feira, 23.08.16

A Mónica veio a Lisboa...

Conheci a Mónica em Itália num encontro do WSI, isto no ano de 2005. Alguém lhe disse que eu era portuguesa e veio falar-me. Fiquei admirada com o seu português quase correto. Nessa altura nasceu a nossa amizade que os e-mails foram alimentando assim como as visitas posteriores a Udine.

A Mónica nasceu na Suíça mas ambos os pais eram emigrantes, a mãe portuguesa de Santiago do Cacém e o pai italiano do Friuli. Tinha então ela 8 anos quando se mudaram para Itália e, apesar da mãe progressivamente ter deixado o português ela conservou-o. Alguns irmãos da mãe emigraram também e assim a Mónica tem primos na França, na Espanha e até no Bali. Por isso se compreende que também fale, além do francês, língua em que nasceu, da italiana em que vive, fale o espanhol dos primos e ainda o inglês que aprendeu em WSI!

A Mónica veio com o marido e a filha Rebeca (16) passar 15 dias em Portugal, e o encontro foi em Lisboa. A tarde foi muito agradável, dos Terraços do Carmo que ainda não existiam quando esteve cá há três anos, pode ver a deslumbrante vista da encosta do Castelo, saborear o Chiado sempre movimentado e que ela ama, como me disse...

A conversa continuou numa esplanada e correu fluida com notícias de quem conheci há 10 anos a da cidade onde também vivi.

Era o segundo dia da sua estadia e ainda com muito para ver ou rever, Litoral Alentejano, Algarve e Évora estão nos projetos e mais dois dias em Lisboa antes de tomarem o vôo para Veneza.

Despedimo-nos com um forte abraço e a promessa de uma visita a Udine na próxima Primavera.

 

 

"Bem-vindos" no dialeto do Friuli

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publicado por naterradosplatanos às 15:39 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Domingo, 21.08.16

Tarte de mirtilos

Não, não vou dar uma receita de trate de mirtilos, primeiro porque o meu blog não é de receitas, segundo porque podem encontrar dezenas delas na rede.

 

Se publico a fotografia desta trate de mirtilos é porque foi feita com carinho por uma neta que não é a minha, para uma avó que não sou eu... Mas para uma mãe que é a minha.

 

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publicado por naterradosplatanos às 17:18 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Quarta-feira, 17.08.16

6 horas de conversa...

Sim, 6 horas de conversa, pesem os 34 anos que nos separam!

O que se conversa em 6 horas, perguntarão? Conversou-se de quase tudo a que a ambas dizia respeito, das memórias, da sua universidade, dos meus filhos e do seu Henrique, das suas viagens profissionais: da experiência de Katmandu, da Índia e da Malásia ou mais perto da Tunísia.

 

A visão de uma professora de Geografia, mais a mais fora dos circuitos turísticos é como se compreende diferente  da de um turista, evidentemente mais rica e profunda.

Para mim foi um privilégio poder com ela falar da vida nesses sítios e sobre tudo a vida das mulheres que neles vivem, mesmo daquelas possuidoras de níveis universitários!

Falou-me ainda de situações inesperadas em que se viu: a admiração que os seu cabelos negros e encaracolados suscitaram na Malásia (onde como país muçulmano, as mulheres andam de cabeça tapada), do receio que sentiu quando uns indianos que lhe pediram para consentir uma fotografia com eles e... de outras situações inesperadas.

Mas mesmo em 6 horas ainda não conversamos tudo e assim teremos que esperar que, eu ida do Areeiro e ela de Coimbra, consigamos finalmente realizar o nosso "périplo" por Lisboa.

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Sábado, 13.08.16

E por aí... A cidade - Bilbao (3)

Como disse, Bilbao é uma cidade bonita, muito bonita mesmo e tem um rio ou uma ria como lhe chamam.

Uma cidade com rio é outra coisa pois tem margens e tem pontes e o lado de lá que pode ser visto do lado de cá e isso faz toda a diferença. Em Bilbao o passado não entra em conflito com o presente, os edifícios integram-se e não se dá nota dos mais recentes. O "casco antigo" é lindo, as ruas são apenas "pietonnes" e suficientemente largas par podermos ter perspectiva...

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publicado por naterradosplatanos às 16:51 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 12.08.16

E por aí... Museu Guggenheim - Bilbao(2)

Chegamos cedo à cidade, 9.30, o que para estes lados, onde tudo só começa a funcionar às 10, algumas coisas mesmo às 11, podemos considerar que foi cedo. Ora, assim sendo fomos compensados com a fila do Museu, que embora já grande era mais pequena do que a do dia anterior.

Segundo consta Bilbao só começou a ter projeção turística quando o Museu Guggenheim abriu portas (1997) , mas eu discordo que seja só ele que faz a cidade atrativa a quem a visita.

Voltando ao museu, que poderão conhecer ou por terem estado in loco ou então virtualmente, é muito bonito, qualquer que seja o ângulo de onde se vê. A arquitetura interior também, tem assim o aspeto de várias naves de catedral... As salas enormes e brancas dispõem-se desfasadas por três andares.

No primeiro e no segundo expõem-se o contemporâneo no terceiro o moderno: Alguns Picassos, Modiglianis...

Voltando ao 2º piso destinado à arte contemporânea ou seja à arte a partir dos meados do séc.XX até aos dias de hoje. Nele se expõem pintura,escultura e ainda composições em que as formas e os materiais, acrescidas do nome de quem as imaginou, lhes concedeu o privilégio de estarem ali.

Placares em várias línguas... leio a parte em inglês, tentam explicar-me filosoficamente a concepção das obras que eu continuo sem entender!

Neste mesmo 2º andar numa exposição de pintura temporária, na grande parede branca que quase lhe pertencia, estava um quadro 2x2, o nome era IBÉRIA - Sim um quadro daquele tamanho pintado de negro, parecendo roto, quiçá desfiado, no canto inferior esquerdo! Olhei as pessoas que o admiravam, muitas, tentei fazer um cálculo por alto, umas 50 talvez, algumas mais ou menos "embasbacadas" (perdoem-me o termo pouco elegante, mas não encontro outro) não sei se por sentirem o "peso" da obra! Outras olhando e passando, talvez a pensar como eu: "o Rei vai nu"! Logo ao lado este outro, título(?) a placa que o acompanhava dizia: "sem nome". Ora se nem o autor lhe consegui dar um nome, como havia eu de o compreender? Passei em frente sem saber o que pensar ou melhor, a interrogar-me sobre quem e como se decide o valor destas obras!

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IBERIA

Rothko,Mark (web)

 

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Sem nome

Motherwell, Robert (web)

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Quinta-feira, 11.08.16

E por aí... Bilbao (1)

Todos os anos passávamos ao lado de Bilbao, na ida e na vinda da Europa, era o tempo da ETA, das bombas no interior da cidade, por isso nunca nos decidimos por uma visita! Agora passados mais de 20 anos e em busca do fresco do golfo da Biscaia, rumamos a norte.

 

Logo que se entra no país Basco (Vasco em língua basca), não se duvida do fervor das gentes ao "país" que quer ser independente.

 

O basco é uma língua sem origens! O esforço da Academia Literária Basca, Euskaltzaindia, ao longo de décadas nunca conseguiu descobrir a sua verdadeira origem e apenas dizem que é uma língua primitiva. No entanto ela vem sempre em primeiro lugar, quer seja nas tabuletas das ruas, quer nos anúncios, quer nos avisos... em suma em tudo o que está escrito. Chegam mesmo a mudar o nome das localidades, numa de afirmação política, como ultimamente foi o caso da cidade de Sopelana (onde o nosso parque se situava) que por votação nas Juntas Generales de Bizkaia o mudaram-no para Sopela. Nos mapas continua o primeiro, nos placares das estradas anda a ser mudado o que ao chegar nos suscitou dúvidas sobre o caminho certo. Realmente tinha um som muito castelhano, porém também não me parece que tenha qualquer parecença com o basco já nas palavras os kk, os rr, os tx e os xx são dominantes: euskadi, getxo,etxebarri...

Em Bilbao vêem-se muitas vezes panos nas janelas com mensagens apenas em basco como este que diz: "bem vindos/ refugiados (obviamente o Google também traduz o basco) e que aqui se reproduz, mas não ouvi falar basco a ninguém!

 

 

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Neste primeiro, dia depois do indispensável "sightseeing" estava planeada uma visita ao Guggenheim, mas qual quê, a fila era aí para umas duas horas e por isso desistimos.

Não nos lembrou de comprar a entrada on-line e como não tínhamos possibilidade de o imprimir aqui, deixamos para ver o que aconteceria no dia seguinte...

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publicado por naterradosplatanos às 15:53 | link do post | comentar
Segunda-feira, 08.08.16

É por aí... Até Bilbao em duas etapas

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"Reformados e sem pressas" assim mesmo e por isso fizemos 500 e poucos quilómetros em duas etapas: a 1ª acabou em Burgos e a 2ª num parque em frente ao mar, relvado, com boas instalações e serviços, mas Wi-Fi deficiente e por isso não sei se conseguirei publicar este post. Chegados cedo conseguimos lugar o que não aconteceria se chegássemos ao fim da tarde. Passamos por lugares que recordamos ter passado com os filhos. Lembram-se dos nome Rubena e Vilafria, onde tivemos um furo na caravana, no nosso 2º ano de férias na Europa?

publicado por naterradosplatanos às 19:41 | link do post | comentar | ver comentários (5)

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