Como a surpresa me suscitou recordações...

 

 

Nunca tinha refletido seriamente sobre a minha carreira como professora até a Fátima me ter feito a grande surpresa de me dedicar a sua tese de Doutoramento. Isso calou-me tão fundo  que hoje dei por mim a pensar nos 36 anos que devotei a tantas centenas de alunos…

 

Ainda não tinha 23 anos quando entrei no gabinete do então Sr Reitor do Liceu D.João de Castro que, no fim da nossa conversa, me entregou um horário de 22h semanais que correspondiam a 11turmas (!!), oito de 3ºano e três de 4º (hoje 7º e 8ºano). O ano, apesar da a minha inexperiência correu bem, eu era a mais nova de todos os professores e era menina (havia muito poucas professoras, já que o liceu era masculino) e como tal era tratada. Colegas de que me lembro? Passados tantos anos só o Dr. Fagundes que, em nome dos outros colegas, me veio desejar felicidades no dia do meu casamento…

 

No ano seguinte estávamos os dois a ensinar num colégio em Alcácer do Sal, a tropa estava a chegar no ano seguinte e optando pelo colégio optávamos pela certeza de ficarmos juntos até esse inevitável acontecer… Foi um ano de muito trabalho, apesar de termos poucos alunos asseguravamos todas as disciplinas de Ciências e tinhamos ainda um curso de adultos à noite!

 

Depois foi o ano no Liceu Pedro Nunes, ano de estágio e ano em que tive a honra de conhecer o Professor Rómulo de Carvalho. No estágio não
aprendi nada de novo, na altura os estágios, e penso que muito bem, resumiam-se exclusivamente a aprender a dar aulas.

Para mim isso era já  intuitivo, mas não pensem que era inato, não, eu apenas transpus para a minha prática o modelo da minha professora de
Biologia do meu 6º ano (hoje 10º) Hália Monteiro e do meu professor de Geografia Física do meu 1º ano de Faculdade, Ilídio do Amaral. Foram ambos que, pelas suas aulas e práticas pedagógicas excelentes e relação com os alunos, me formaram e que fizeram de mim a professora que fui desde o início burilando, com a experiência, aqui e ali as minhas práticas, ano após ano...

 

Infelizmente nunca houve oportunidade de que eles o soubessem, mas é a eles que tenho que agradecer a honra que a Fátima me deu!

 

Daqui veio o Liceu da Amadora e foi aí que o 25 de Abril me encontrou e posso dizer com orgulho que não fui saneada e que até ainda consegui
dar um teste no dia 27, já com a escola entre protestos e RGAs! Sim, não apareceram todos mas, estava lá a maior parte da turma!

 

A tropa acabou e decidimos apostar na saída de Lisboa uma vez que para mim (dada a falta permanente de Professores de Geografia) seria fácil encontrar colocação em qualquer sítio.

Estavamos em Janeiro de 1974 quando a carta chegou nós dissemos de novo SIM.

 

Eis-nos de malas feitas para o Norte Alentejano já que foi este  o primeiro a responder a um engenheiro químico que se iniciava na profissão… não estava no litoral, não tinha praia, os verões sabia-o eu, eram tórridos mas era preciso começar a vida agora a três…

 

publicado por naterradosplatanos às 20:24 | link do post | comentar