Dois anos depois na Avenida do Bonfim...

 

Dois anos depois mudamos para o edifício novo onde a Geografia teve direito a uma excelente sala, a sala 2: quadro verde que ocupava toda a parede da frente, bancadas ao longo das janelas, arrecadação para mapas, retroprojetor e eventuais trabalhos dos alunos, vários armários e um enorme placar na parede do fundo onde podíamos pendurar tudo o que fosse digno de lá figurar. Nessa altura era a
sala perfeita e era aí que todas as aulas de Geografia eram dadas (nos mais tarde mudamos para outra igualmente boa).

 

No primeiro ou segundo ano que aí estive algo de caricato me aconteceu, igualmente fui chamada ao Conselho Diretivo mas desta vez para me explicar. O que tinha acontecido? Uma aluna do então 10º ano tinha-se ido queixar exatamente por isto, eu todos os dias lhe fazia perguntas”!
Realmente era verdade, as minhas aulas sempre eram participadas e em turmas pequenas é evidente que a Catarina, tal como os outros era várias vezes solicitada. Enfim, estávamos no PREC e nessa altura tudo se podia contestar!
Isto aconteceu logo nas primeiras aulas do ano… ao fim a Catarina até se revelou uma boa aluna!

 

Alguns anos depois outra aluna minha disse-me de forma muito azeda: eu não concordo com o método da professora!  Menina, digo eu, mas aqui a professora sou eu e como tal sou eu que dito o método!  No fim do ano as nossas relações estavam sanadas e lembro-me que lhe dei 16.

 

Como nem Deus agrada a todos, certamente que não agradei a muitos, pelo menos na altura imediata a mete-los na ordem. Quem está/esteve na profissão sabem que quando crescem pensam de outra maneira e reconhecem os nossos motivos e dão valor ao nosso empenhamento.  

Há pouco tempo atrás encontrei o Nuno Fragata, quando foi meu aluno tinha uns 13, 14 anos, irrequieto, falador e como tal repreendido com frequência… foi ele que me chamou: professora, professora! Olhei e vi-o à minha frente, 1.90, um homem, mas a mesma expressão, conversamos… no fim, quando nos despedimos, diz-me pondo-me a mão no ombro e disse-me: professora, a professora ralhava-me muito mas eu sei que gostava muito de mim!!

Continuei a subir a rua sentindo-me muito feliz!

 

Lembro-me também de um dia em que estava a fazer um dos meus ”sermões” a uma turma e que rematei da seguinte forma: “o que vos estou a dizer é o que digo aos meus filhos!” lá de trás ouço: “coitados dos seus filhos”! Não pude evitar um sorriso e agora que estou a escrever estou a sorrir também!

 

Muitas, todas (?) as minhas colegas terão episódios deste para contar e que, tal como as gracinhas dos filhos, recordamos com certo prazer!

 

Agora podem perguntar-me, se fosses de novo professora mudavas alguma coisa? Sim, mudava. O quê? Certamente usaria menos esferográfica vermelha na correção dos trabalhosdos meus alunos!

Só quando resolvi reavivar os meus conhecimentos de inglês é que senti como era traumatizante receber um trabalho com os erros assinalados a
vermelho. Hoje usaria azul ou verde, nunca o encarnado!

 

Mesmo sabendo que eles não me leem, aqui ficam as minhas desculpas, sim porque às alunas que me leem, a Marisa e a Fátima, nos testes delas quase que tinha que andar à procura da falta de uma vírgula ou ponto final para se notar que os tinha
corrigido!

 

 

 

publicado por naterradosplatanos às 08:35 | link do post | comentar