Como a Sara e a Marie se encontraram…

 

 

 

Não sei que horas seriam quando a Sara (minha sobrinha) chegou da faculdade ou da sua prática hospitalar e a encontrou à porta do edifício onde mora. Também não sei se apenas a sentiu ou se a viu de imediato, o certo é que já subiram ambas no elevador…

 

Aquela coisinha era de cor cinzenta e nesse cinzento havia apenas uma manchinha cor-de-rosa e uns olhinhos que mal se viam… Examinada por mãos que andam a treinar-se para um dia examinar pessoas como nós, estas depressa viram que precisava de atenção de mãos da especialidade.

Assim aquela coisinha cinzenta entrou pelas mãos da Sara na clínica mais próxima e aí foi examinada, tratada e lavada… sim porque o seu cinzento era resultado de dias de abandono passados na rua escapando-se por baixos dos automóveis ali estacionados.

 

Apesar de ser óbvio que a criaturinha tinha sido abandonada, tal era a sua magreza a S. não se poupou a esforços para encontrar alguém que a reclamasse, mas em vão, ninguém parecia ter sentido a sua falta...

 

Eu conhecia no dia anterior em que escrevi sobre o “dia do Equinócio”, peguei nela, então já bem branquinha, de nariz rosado tal como as almofadinhas das suas patas... porém ainda pude sentir todos os ossinhos que estavam por debaixo daquele novelo de angorá.

 

Na altura ainda não tinha nome, embora vários em aberto. Fiquei a saber, há dois dias,  pela minha neta que tinha sido escolhido o de Marie, pois sendo uma gata de raça persa e, segundo a minha sobrinha Sara, pese ainda a sua tenra idade, também já tem ares de aristocrata tal como a protagonista dos Aristogatos!

 

E para terminar esta pequena mas verdadeira história, escusado será dizer que ambas se apaixonaram uma pela outra e que ela é agora a companhia das longas  horas de estudo e, tanto quanto me contaram, o despertador da sua dona logo pela manhã!

 

 

 

  

p.s. parece que as minhas sobrinhas estão fadas, neste caso, para resgatarem estas criaturas rejeitadas. Há muitos anos a minha sobrinha Marta (a mãe da menina que só "quer ser natural") e a Susana (a noiva do "dia do Equinócio") quando igualmente estavam na faculdade e numa noite em que foram por o lixo no contentor encontraram, acabadinho de nascer, o Vasco (que mais tarde se veio a constatar que deveria ter sido chamado de Vasca)!

O Vasco, gato(a)  de "pedigree" duvidoso e muito querido por elas fez-lhe companhia durante todo o tempo que frequentaram a Universidade. Depois... claro, acabou na casa dos pais como parece ser sempre a norma... 

publicado por naterradosplatanos às 17:02 | link do post | comentar