Não sou poeta...

Não sou poeta (nem sequer sei rimar) como o era o autor deste texto, que a Kátia me deixou na caixa de comentários, mas certamente uma boa tourist como ele fala.

Talvez, na expressão do meu filho A. que fez história entre nós, uma "turista profissional". Foi há muitos, muitos anos em Paris, na escadaria do Sacre Coeur, que olhando para mim me disse:" mamã, pareces mesmo uma turista profissional"! ....

 

A vida é uma viagem que uns fazem em caixeiros-viajantes, outros em navios em lua de mel, e outros, como eu, em tourists. Eu atravesso a vida para olhar para ela. Tudo é paisagem para mim, como para o bom tourist — campos, cidades, casas, fábricas, luzes, bares, mulheres, dores, alegrias, dúvidas, guerras (...). Quero, para aproveitar a minha viagem, sentir o maior número de coisas no mais pequeno espaço de tempo possível. Sentir tudo de todas as maneiras, amar tudo de todas as formas, tocar e ver coisas e não lhes pegar, passar por elas e não olhar para trás — parece-me o único destino digno dum poeta.

 

Alberto Caeiro

publicado por naterradosplatanos às 08:55 | link do post | comentar