Segunda-feira, 04.07.16

Lugares românticos

Berlin não tem jardins com flores como em Inglaterra ou mesmo na França, talvez um dia seja uma prioridade, hoje parece não o ser... Mas Berlim tem parques, o Tiergaten imenso e muitos outros embora de menor dimensão onde imperam os relvados e frondosas árvores. Todos eles foram mais ou menos destruídos pelos bombardeamentos mas, décadas passadas a natureza oferece-se de novo aos berlinenses.

 

Encaixar em cinco dias museus e a curiosidade de uma neta, é assim uma espécie de quadratura do círculo e assim sendo houve que optar. Volkspark Friedrichshain foi o escolhido pela sua ligação ao imaginário infantil, afinal não há muitos anos que ela acreditava em fadas...

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A entrada principal faz-se pela Fonte das Fadas, neo-barroca, mandada construir na comemoração dos 100 anos de ascensão ao trono de um kiser prussiano de nome Frederich, informação que constava na entrada.

A fonte é linda, decorada com dezenas de pequenas estátuas saídas dos Contos de Grim, onde é fácil encontrar a Branca de Neve, o Gato das Botas, a Guardadora de Patos... Eu escolhi para aqui a do Capuchinho Vermelho, pelo ar matreiro do lobo! 

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Para lá da fonte está o parque. Não posso dizer que está cuidado, não está, os buxos estão por aparar, há ervas e restos que atestam a passagem de muita gente.

 

Talvez a Srª Merkel tenha razão e a Alemanha ainda precise de muita mão de obra!

publicado por naterradosplatanos às 22:39 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 01.07.16

Jairson

Viajar em autogestão dá-nos tempo. Um dia, se ainda gostarmos de viajar e não o podermos fazer já sozinhos teremos que nos sujeitar. Se assim acontecer tenho a certeza que sentiremos uma imensa nostalgia dos tempos que o fazíamos sozinhos. Viajar em autogestão dá-nos a liberdade de não ver, de não fazer, de não ir... de não nos sentirmos arrastados para o que não nos interessa, ou de nos sentirmos puxados quando ainda queremos ver.

Sei que para viajar desta forma tem que se começar muito cedo e até com orçamentos limitados para aprendermos a organizar-nos. Foi assim quando há muitos anos começámos.

 

Onde entra aqui o Jairson?

Depois da visita à East Side Gallery, 1,3 km de Muro, onde muitos artista se puderam expressar, quando as pernas já pediam descanso e a Ostbanhoff estava ali ao lado foi o momento de parar.

Discutíamos o que pedir quando ouvimos em português um cumprimento. O cumprimento vinha do Jairson, junto com um largo sorriso e brilho nos olhos. O tempo pertencía-nos, não estávamos atrasadas para nada, ninguém esperava por nós, daí estendermos a conversa que rolou fluida.

O Jairson nasceu na Guiné, aos sete anos veio com o pai para Portugal, fez a escola na Amadora, feito o 12º ano rumou ao Porto, pouco tempo depois estava em Berlin onde tinha parentes. Arranjar emprego foi fácil mas referiu que isso aconteceu porque falava inglês, acrescentando que sem saber inglês ou alemão não há hipóteses. Quatro anos depois já fala alemão. Trabalha por turnos no restaurante, no trabalho não sente discriminação, mas o mesmo não acontece lá fora, diz ele.

O Jairson, 21 anos, é negro e disse que, como tal, correria riscos se entrasse em alguns bairros de Berlin.

Gosta de estar na Alemanha? Inquirimos. Gostava, pelo que ganha, mas gostar, gostar, gosta de Portugal onde, diz ele, nunca sentiu o peso da cor. As pessoas são muito diferentes daqui, acrescenta deixando a frase por concluir.

 

 

O Jairson pensa que um dia irá também à Guiné ver a mãe, mas que agora, no que pensa é nas férias em Portugal no próximo mês de Agosto.

publicado por naterradosplatanos às 12:53 | link do post | comentar
Quarta-feira, 29.06.16

Berlim será sempre...

Berlin será sempre a cidade que esteve dividida. Passadas mais de duas décadas ainda lá estão os sinais, alguns reais, o Muro, bocados autênticos a relembrar; fundações onde novos prédios se irão levantar, ocupando lugares ainda vazios, muitos deles onde o Muro passou ou era "terra de ninguém".

Nos taipais que rodeiam as obras do estado, a História de como era e como será, talvez para não deixar esquecer, o passado está sempre presente.

Vista de cima, da torre da TV, obra da DDR, de lá se vêem e talvez para sempre as duas cidades: ao longo da Karl Marx Allee os prédios altos e vestutos, mas também os edifícios de muitos andares que foram construídos para rapidamente abrigar a sua população e toda aquela que fluía a Berlin, no pós-guerra. É a célebre avenida onde desfilavam os tanques na demonstração do poderio bélico.

Da primeira vez que estive em Berlin era, apesar da amplitude, uma "avenida " sombria" no sentido do peso dado pelo "peso"dos edifícios e praticamente a ausência de atividade económica. As lojas eram antiquadas, os cafés raros, as esplanadas inexistentes. Hoje tem um ar moderno, mais humanizado talvez pela faixa central arborizada que a divide, pelos prédios rejuvenescidos, pelos espaços verdes, pelas lojas, cafés e esplanadas que a ladeiam.

Circulando em redor, no interior dessa esfera gigante, vemos nitidamente a passagem da ex-Berlin Oriental para a ex-Berlin Ocidental, mesmo sem lá estar o Muro: casas mais baixas, de arquitetura simples com a excepção de alguma reconstrução no traçado antigo, o Tiergarten a perder de vista, prédios altos... só muito modernos, ponteando aqui e ali a regularidade urbana de então e que  se mantém.

 

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Hoje, Berlin é uma só cidade feita de duas metades ainda não absolutamente iguais!

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publicado por naterradosplatanos às 18:53 | link do post | comentar
Terça-feira, 28.06.16

As três à solta em Berlin!

Exatamente, três no feminino, em autogestão em Berlin. Eu pela 3ª vez (2001, 2008 e agora em 2016). A minha irmã pela 2ª vez, a primeira em 1980, ainda o muro não tinha caído e só o facto de ser uma viagem promovida pela Universidade lhe permitiu passar para o lado de lá! A oportunidade de observar durante umas horas o vazio das ruas onde os soldados eram protagonistas na cidade foi única. Depois compará-la com a opulência do outro lado foi algo que ela apelida de chocante e que hoje relembrou. A minha neta R veio pela primeira vez. Aqui deixo expresso a companhia excepcional que foi, sem nunca se cansar, sem reclamar por ter de se levantar cedo, sempre interessada por tudo, sempre curiosa e acutilante nas suas observações e conclusões! Foi um prazer tê-la trazido connosco!

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publicado por naterradosplatanos às 19:01 | link do post | comentar | ver comentários (4)

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