Mudei de “casa”!
entrecaelaeporai.blogs.sapo.pt
entrecaelaeporai.blogs.sapo.pt
Voltei porque senti vontade de escrever sobre um escasso momento que presenciei. Ele sentado, ela deitada ao seu lado: olhos tristes que se levantaram quando me aproximei, ele fazendo-lhe festas ao longo do corpo já com respiração difícil… Eu ali de pé fiz-lhe uma pergunta parva já que o que se passava era evidente: ela está doente? Ele cabisbaixo acenou que sim. Vai curar-se afirmei eu como se soubesse alguma coisa do assunto! Ele cabisbaixo meneou a cabeça a dizer que não… fiquei sem dizer nada, o que é sempre mais sábio do que dizer palavras tolas e de circunstância.
Quando saí da pastelaria já lá não estavam, pressuponho que tenham entrado na Mix Bix, uma clínica veterinária ali ao lado!
Ela chamava-se Mimi!
Há muito tempo que por aqui não apareço, fui-me desinteressando porque não tenho coisas interessantes para sobre elas escrever, já que a vida se vai tornando rotineira!
Claro que há as viagens, mas acho que isso a poucos interessa... os filhos vão sabendo delas conforme vão acontecendo e a grande entusiasta pelos meus posts já não está connosco.
Porém, como se vê pelo título do post, agora estou a ter um novo leitor que, com a ajuda do Google Translater, vai espiando o que por aqui escrevo. Realmente foi este novo leitor que hoje reclamou (por email) a falta do relato dos dias que passámos com ele, que me levou a retomar este que foi durante muito tempo escrito com entusiasmo!
Já aqui falei do Brain, amigo que fazemos questão de abraçar todos os anos no seu Yorkshire, de que nós também tanto gostamos. Desta vez foi ele que fez o nosso programa para os dias que lá estivemos e sim, vimos coisas que por gestão nossa não o teríamos conseguido: Harlow Carr e os seus impecáveis jardins; Harewood House, palácio rural de nobres ingleses que no séc. XVIIIfizeram fortuna com o comércio de açúcar das Caraíbas e Ampleforth (Abadia e Colégio). Esta última visita foi muito interessante já que o conjunto me pareceu o símbolo de uma época distante que se estende até ao presente... de forma funcional e não para apenas ser admirado.
Esta enorme propriedade dos Beneditinos por eles habitada desde os primórdios do séc.XIX alberga além da Abadia um colégio para rapazes. Este último tem um aspecto vestuto, pousado num verde a perder de vista, tal e qual como os que vemos nos filmes ingleses!
Bom, mas além disto, o que verdadeiramente contou foi o tempo, que à custa das visitas passámos com o Brian, que daqui a dois dias fará 92 anos, 92 anos vivos, cheios de humor e carinho por nós, tal como nós por ele!
Vieram-me as lágrimas aos olhos, quando na despedida me abraçou e me deu um beijo, coisa nada comum na cultura inglesa.
Thank you, Brian, for the great days we spend together
'






'



Alguém tinha dito que havia um português a bordo, mas como não demos por conta de nenhum, pensei que podia ter sido confusão, portanto não mais me preocupei com o assunto.
No último dia foi o “jantar do capitão ” e além da cerimónia gastronómica de 5 pratos, constou a apresentação de todos, os que durante uma semana, contribuíram para o nosso bem estar!!
Foi aqui que vi a Ana Maria apresentar-se como chefe da lavandaria, mas que na sequência das apresentações, tal como apareceu, desapareceu!
Não, não podia ir-me embora sem a cumprimentar!
Assim quando a “festa” do capitão terminou fui à receção (que existe tal como num hotel) e perguntei se podia falar com ela. Sim, pode… e é então que a Ana Maria aparece!
Pudera eu ter gravado a alegria dela quando espontaneamente me abraçou!
A Ana Maria nasceu numa aldeia não longe da Guarda, ficou órfã de mãe aos 6 anos, depois, uma vida cuidada pelo pai… mas um dia, pela lei da vida, também ele desapareceu!
A Ana Maria que tem 42 anos e é mais uma portuguesa que se fez à vida: dois anos a navegar nos Cruzeiros do Douro e daí há três meses nos Cruzeiros Reno.
O que faz neles a Ana Maria? Supervisiona a lavandaria!
Perguntei-lhe sobre o trabalho e sempre com um sorriso respondeu-me que o trabalho era algum mas que ela tinha tudo organizado e que não se queixava porque, na realidade, estava ali para ganhar dinheiro! Ali não há horário de trabalho, trabalha-se enquanto é preciso!
A sua residência é no barco e num telemóvel de rede portuguesa, numa cabine do Amadeus, segundo ela confortavelmente e sem nada faltar.
Os cruzeiros desta companhia fazem-se entre Março e Novembro altura em que o contrato termina, regressando na época seguinte, se o seu trabalho tiver sido apreciado…
E assim a Ana Maria sobe e desce o Reno ao ritmo do Amadeus

Lena, fazes me falta também para aqueles pequenos “dizeres mal”! Pois, não tenho com quem possa “cultivar” esta tão característica feminina... Não, não é dizer mal mas comentar pequenas, pequenas coisas que vamos vendo e não nos agradam!
Estamos em Strasburgo e embora tivéssemos estado cá há uns cinco anos (por altura dos Christmas Markets), as memórias já se misturavam com tanta coisa que entretanto, vimos, que resolvemos fazer num "tour " para rentabilizar o tempo que o Amadeus Star nos deu.
Sim, há uma diferença entre o aprumo das cidades alemãs que visitamos ao longo do Rio (e outras que já conhecemos) e a francesa Strasbourg!
A diferença? A diferença está limpeza das ruas, no cuidado dos relvados, nas esplanadas, nas ervas dos passeios e mesmo nos jardins… enfim aqueles pequenos grandes nadas de que eu sou tão crítica e sensível!
A visita ao longo do canal que rodeia a “europeia” cidade trouxe-nos à memória o que entretanto tínhamos esquecido…
Seriam estes pormenores que eu conversaria contigo, além de tu lembrares mais uma vez os anos que aqui, na Alemanha, foste feliz!
A parte antiga da cidade alsaciana de Strasbourg:




Já lá tinha estado, sem lá ter estado, tantas vezes tinha ouvido falar dela à minha irmã! Não fica na margem do Reno mas na de um dos seus afluentes, o Neckar. A Lena esteve cá várias vezes e sempre falava dela com encanto!
A cidade não é grande e talvez por isso ela é tão alemã e como todas as cidades alemãs recheada de história e estórias.
Deixo as fotografias , já que o resto pode ser encontrado no Google...





Ao longo do Reno são muitas, mas são as pequenas as anichadas entre as margens altas do rio e o rio que corre, que têm esse charme, esse ar romântico, esse ar dos contos de fadas da minha infância...
Rudesheim é uma delas e não fossem apenas as duas horas que nos deram e também o calor húmido que fazia, por lá ficaríamos a deambular, a fazer parte de um cenário mágico!
Sim, eu sei que tudo aquilo é para os turistas e que toda aquela gente trabalha em função destes*!
Então, porque o nosso amigo Brian tanto insistiu sentámo-nos numa esplanada para bebermos um "Rüdesheim Coffee" que, afiançou ele, não nos irmos arrepender! Bom, não achei que fosse melhor do que o primeiro Irish Coffee que há muitos anos bebi em Redcar, no Yorkshire! A receita é a mesma, só o wisky é substituído pelo brandy daqui!
Documentada a prova é enviada a este nosso amigo de há muitos anos, fomos fazer parte da multidão...





* 8000 habitantes/5000turistas diários.
Os dias correm ao ritmo do rio, sem pressa para nada, talvez porque tudo está calendarizado ao minuto: todas as tardes pelas seis e meia temos o relatório pormenorizado do que vai acontecer no dia seguinte!
Durante a manhã navegamos no Mosela num vale estreito e cheio de meandros, alguns tão estreitos que o barco tem que fazer marcha a trás para depois avançar de novo!!
Nas margens há muitas vinhas, mas de pequenas dimensões, nada da grandeza do Alto Douro Vinhateiro, nada das vinhas a traçar as curvas de nível!
Parece que o vinho do Mosela é famoso, mas disso nada percebo!
À tarde saímos do barco para visitar Cochem, que vista de fora é encantadora mas que visitada perde o charme por causa das multidões de turistas que se acotovelam nas ruas…
Segue a reportagem:





Viajámos toda a noite, mas de uma forma tão tranquila que só acordamos quando Colónia já estava no horizonte!
Estivemos aqui já há muitos anos, éramos novos e conduzir ao longo do Vale do Reno, descendo-o pela margem direita e subindo-o pela esquerda, foi mesmo mt bom. Porém nos tempos de hoje escolher desce-lo de barco foi uma boa ideia.
Hoje vamos largar exatamente às 20:00 (aqui tudo é "exatamente!) depois de termos tido o dia inteiro para visitar Colónia. No nosso caso é pela 2° vez, mas nunca aqui estivemos com os filhos!
Colónia não tem grande interesse, na realidade quando da ll Grande Guerra só a Catedral ficou em pé, não porque a quisessem poupar mas simplesmente porque dos céus, para os pilotos inimigos era um ponto de referência ! Assim todo o centro foi reconstruído com o dinheiro dinheiro possível e a pressa de alojar os sobreviventes.
Nesta altura o centro está todo "em obras" e as ruas "pietons" que, tal como em todas as cidades turísticas, estão abafadas por lojas de quinquilharias... as lojas de marca, essas iguaisinhas em todo o mundo, lá estão emaranhadas com outras! Depois as esplanadas ocupando tudo, agitam- se entre o trás e o leva de canecas de cerveja, ajudam a dar, um ar confuso ás ruas!
A Catedral a precisar de uma profunda limpeza ergue-se numa pequena praça barulhenta, não tivesse a Haltbanhof a ela colada num prefeito caos urbanístico !
Obviamente que a Colónia moderna está lá mais para longe deste centro e será povoada pelos arranha-céus envidraçados das grandes empresas, já que Colónia está geograficamente numa área desde sempre rica, o que faz dela a 4a cidade alemā.
.
.

Aqui nasceu e se produziu durante décadas a famosa Água de Colónia 4711 de que hoje já poucas pessoas se lembraram!
(Continuando)
VENDO O RENO CORRER...
Valha-nos termos aprendido a orientação pelo sol!
Digo isto porque me tenho valido dela para me orientar nesta viagem!
Nós estamos a subir o Reno, portanto indo da foz para a nascente e em contra-corrente, logo de Norte para Sul . Assim o Oeste fica-me à direita e a água corre para trás das minhas costas…
É assim um pouco como nas cidades americanas que têm plantas ortogonais, isto é em que as ruas se cruzam perpendicularmente. Nestes casos quando saímos ficamos sem saber-se estamos a ir para N ou para S, para E ou W e é aqui que vemos como foi bom que algum professor insistisse connosco, sim porque não andamos com uma bússola no bolso!
Continuamos a contrariar a corrente do Reno e a rumar para Sul com o Sol a pôr-se à nossa direita!

Rigorosamente ás 8:300 o barco levantou ferro em direção a Colónia onde chegaremos amanhã de manhã. Hoje tivemos uma breve paragem em Utrecht mas nós não saímos já que estivemos lá há uns meses e portanto preferimos ficar para conhecer a “casa” onde habitaremos durante sete dias, já que é a primeira experiência que estamos a ter desta forma! Antes era a estrada e uma Autocarava, agora substituídas por um rio e um barco que não se sente deslizar, que não trava, que não acelera para quilómetros á frente voltar a travar, a velocidade é baixa e sempre a mesma!
Já que todas as paredes são envidraçadas, em qualquer lugar que estejamos, lá fora vemos passar o verde dos polders e os lugares que bordam aqui e ali o Reno. Agora chove, mas até isso dá uma sensação do conforto que se vive aqui dentro, onde o silêncio também é total!
Está a ser muito agradável!

