Sexta-feira, 01.07.16

Ampelmännchen*: determinado e imperativo

Em todos estes anos que tenho andado "por aí " nunca me lembro de ter reparado nos desenhos dos sinais luminosos  para os peões, e eu tenho-me por pessoa atenta!

É intuitivo que são vermelhos e verdes, (excepção dos US em que o verde é branco) e talvez por isso nunca prestei atenção ao desenho dos bonecos.

Os de Berlin são tão cheios de força, tão apelativos que é impossível não lhes prestar atenção. O homenzinho de chapéu, nariz, boca e queixo bem definidos tem o privilégio de ser um dos poucos símbolos do comunismo que prevaleceram.

Nos primeiros tempos da reunificação todos os sinais de trânsito foram substituídos por outros e iguais  para toda a cidade. Porém uma petição dos Berlinenses orientais conseguiu trazer o seu Ampelmännchen de novo às ruas da cidade e torná-lo num objeto de culto que rende mais de 2 milhões de € por ano!

Um símbolo do comunismo posto a render numa economia capitalista, ironia do destino...

 

Olhemos bem para o homenzinho verde e nele veremos a determinação, o "follow me" em segurança.

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Agora o homenzinho vermelho, imperativo, de braços abertos e sem nos deixar dúvidas que é para parar, contudo, o ar humanizado mantém-se, envolvendo o peão no desejo de cumprir.

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*Little trafic light man (o homenzinho das luzes de tráfico)

 

E aqui está ele agora, não ajudar alguém a atravessar a rua mas, a ajudar alguém a ganhar  muitos €€€!

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publicado por naterradosplatanos às 21:07 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Jairson

Viajar em autogestão dá-nos tempo. Um dia, se ainda gostarmos de viajar e não o podermos fazer já sozinhos teremos que nos sujeitar. Se assim acontecer tenho a certeza que sentiremos uma imensa nostalgia dos tempos que o fazíamos sozinhos. Viajar em autogestão dá-nos a liberdade de não ver, de não fazer, de não ir... de não nos sentirmos arrastados para o que não nos interessa, ou de nos sentirmos puxados quando ainda queremos ver.

Sei que para viajar desta forma tem que se começar muito cedo e até com orçamentos limitados para aprendermos a organizar-nos. Foi assim quando há muitos anos começámos.

 

Onde entra aqui o Jairson?

Depois da visita à East Side Gallery, 1,3 km de Muro, onde muitos artista se puderam expressar, quando as pernas já pediam descanso e a Ostbanhoff estava ali ao lado foi o momento de parar.

Discutíamos o que pedir quando ouvimos em português um cumprimento. O cumprimento vinha do Jairson, junto com um largo sorriso e brilho nos olhos. O tempo pertencía-nos, não estávamos atrasadas para nada, ninguém esperava por nós, daí estendermos a conversa que rolou fluida.

O Jairson nasceu na Guiné, aos sete anos veio com o pai para Portugal, fez a escola na Amadora, feito o 12º ano rumou ao Porto, pouco tempo depois estava em Berlin onde tinha parentes. Arranjar emprego foi fácil mas referiu que isso aconteceu porque falava inglês, acrescentando que sem saber inglês ou alemão não há hipóteses. Quatro anos depois já fala alemão. Trabalha por turnos no restaurante, no trabalho não sente discriminação, mas o mesmo não acontece lá fora, diz ele.

O Jairson, 21 anos, é negro e disse que, como tal, correria riscos se entrasse em alguns bairros de Berlin.

Gosta de estar na Alemanha? Inquirimos. Gostava, pelo que ganha, mas gostar, gostar, gosta de Portugal onde, diz ele, nunca sentiu o peso da cor. As pessoas são muito diferentes daqui, acrescenta deixando a frase por concluir.

 

 

O Jairson pensa que um dia irá também à Guiné ver a mãe, mas que agora, no que pensa é nas férias em Portugal no próximo mês de Agosto.

publicado por naterradosplatanos às 12:53 | link do post | comentar

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