Segunda-feira, 30.07.18

Dia 12 - British Museum (1)

 

 

A 1ª vez em, 1968 foi com a minha irmã, depois a dois, depois com os filhos e agora de novo a dois. Todavia em nenhum das vezes fui com objetivos tão determinados.

A Sophie o Siamak ofereceram-nos o livro “The History of the world in 100 objects” o ano passado e 100 capítulos x 2 demoraram quase um ano a ler pois a sua leitura requer alguma reflexão em torno de cada um desses objetos.

Conforme fui lendo fui fazendo anotações e marcando aqueles que quereria ver numa próxima visita, visita que se concretizou agora.

Ora, como seria impossível ver todos eles, escolhi alguns, localizei-os nas salas do BM (maravilhosa ferramenta que é a internet) e hoje comecei a minha verdadeira visita. 

Sem pressas, no meio das multidões que há sempre, fui procurando  aquilo tinha selecionado, ao todo 19 peças que serão repartidas por dois dias de visita.

Para ficar aqui, para memória futura, hoje escolhi duas peças cuja história em que estiveram envolvidas me fascinou:

 

Flood Tablet 

Esta placa de argila datada entre 700 e 600 AC e encontrada no norte do Iraque está em escrita cuneiform e só em 1872 foi decifrada. O que  tem ela de espantoso? Ela relata simplesmente a história do Dilúvio tal como a Bíblia o fez chegar até nós, só que esse relato foi escrito 400 anos antes da história de que Noé é protagonista!!

 

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http://www.britishmuseum.org/explore/a_history_of_the_world/objects.aspx#16

 

 

Statue of Tara

 

Foi encontrada no Sri Lanka e foi datada entre os 700 e os 900 anos DC, é uma estátua em bronze banhada a ouro e quase tamanho normal. O tronco está completamente nu e as vestes que cobrem a parte inferior  aparecem como que transparentes e coladas ao corpo, revelando assim as suas formas!

Tudo isto não teria a menor importância se a estátua tivesse sido feita para ser adorada como é usual!  Mas não, ela destinava-se a ser usada como um foco de meditação nas qualidades que ela personificava - compaixão e proteção... e agora vem o interessante, ela destinava-se a ser essencialmente vista pelos “padres” e monges de elites privilegiadas nos seus momentos de meditação* (!!)

 

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Interessante objeto de meditação!!  

http://www.britishmuseum.org/explore/a_history_of_the_world/objects.aspx#54

 

 * traduzido por mim dos “History of the World in 100 objects” p.296 ed. Penguin Books 

 

 

 

publicado por naterradosplatanos às 21:48 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Domingo, 29.07.18

Dia 11 - Southampton - Londres

Hoje sim, foi uma manhã de “british weather” já que choveu toda a viagem, facto que deve ter deixado contente todos os ingleses!

Claro que viajar com chuva é mais cansativo sobretudo em estradas que acumulam bastante água. Pensava eu que o nosso percurso para Gatwick seria em autoestrada mas seguindo o GPS poucos foram os troços que usamos!!

Bom, mas chegámos e apesar de todas aquelas estradas da Cornualha entregámos o carro sem nenhum risco! 

 

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publicado por naterradosplatanos às 17:23 | link do post | comentar
Sábado, 28.07.18

Dia 10 - Southampton apenas uma etapa...

 

As viagens nestas estradas do sul de Inglaterra são um pouco cansativas já que as estradas que ligam as pequenas cidades, economicamente menos importantes, são estreitas, “emparedadas” com vegetação, com curvas... As autoestradas que servem as grandes cidades, essas estão sempre congestionadas!

Assim fazer 300km é o máximo a que nos permitimos e por isso Southampton entrou no nosso itinerário mesmo que só por meio dia.

 

Claro que este pouco tempo dá para muito pouco, mas percorrer The QE2 Mile (formada pela High Street e a Above Bar Street) em honra do Queen Elizabeth II e terminar no Porto de onde este saiu em 1967 é muito interessante sobre tudo pela variedade de estilos dos edifícios que, tendo escapado aos bombardeamentos da II Guerra Mundial nos mostram a importância da cidade desde longa data.

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publicado por naterradosplatanos às 20:30 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Estar em Inglaterra e não o sentir...

 

 

Já estamos por cá há 10 dias e na realidade não sinto que o esteja! Para mim a Inglaterra está associada aos campos verdes, à atmosfera húmida, à chuvinha miúda que cai, ao casquinho que sempre sabe bem vestir...

Este ano, nada disso, pelo menos nesta Inglaterra do sul, por onde andamos: campos amarelos, ar seco, bermas e caminhos poeirentos que  nos convidam a voltar para trás à primeira curva...

 

Todos sabemos que por aqui este calor não é uma situação normal para a qual os ingleses estejam preparados e portanto, só aqueles que podem gozar a praia o não lastimam!

Assim, como as regas dos jardins e dos parques não estão previstas... o amarelo (alentejano) instalou-se e a minha desilusão também!

 

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A vereda que devia ser verde a contrastar com o azul do mar...

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publicado por naterradosplatanos às 07:19 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 27.07.18

Dia 9 - Land’s End, o Cabo da Roca do UK

 

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Exatamente, Land’s End é a ponta mais ocidental da Grã-Bretanha, só que é menos ocidental do que o nosso Cabo da Roca... porém como cabos rochosos têm a mesma paisagem agreste, resultado de estarem desprotegidos dos ventos de qualquer quadrante... 

 

Coordenadas de ambos:

 

Land’s End:  5° 42' 34.79" W 

Cabo da Roca:  9° 29' 54.10" W

 

Como se vê pelas coordenadas geográficas o Cabo da Roca é mesmo mais ocidental e como todos sabemos o ponto mais ocidental da Europa!

 

publicado por naterradosplatanos às 15:15 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quinta-feira, 26.07.18

Dia 8 - Minack Theater: um sonho que comandou uma vida!

 

 

Chegar a Minack não é fácil, nada fácil!

 Da A30, as 3 milhas que nos separam desse maravilhoso lugar são feitas por uma “estrada” (as aspas adequam-se) tão estreita que parece que nem o nosso carro poderá passar! O GPS denomina-as “unnamed roads” e isto diz tudo!

Para mim são um susto, mas neste caso não havia qualquer outra hipótese e para ser sincera valeu a pena!

 

Minack tem o ar mítico de um teatro grego, que nasceu de um sonho, que comandou toda a vida de Rowena Cade!

 

Esse sonho começou quando Rowena tinha 38 anos e todo o resto da sua vida foi devotado a este surpreendente palco que ocupa o cimo de uma arriba  na costa Cornualha...

 

Vale a pena ler a sua história que é a história do seu sonho! 

 

https://www.minack.com/

 

https://www.cornwalls.co.uk/history/people/rowena_cade.htm

 

 https://www.minack.com/a-living-theatre/webcams/    (Minack em tempo real) 

 

Tirada da Web para se ver a localização no seu todo, que de outra forma não seria possível 

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 Agora as minhas...

 

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Cada banco tem o ano e a peça representada...

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... a primeira foi A Tempestade de Shakespeare em 1932

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publicado por naterradosplatanos às 20:23 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Quarta-feira, 25.07.18

Dia 7 - Os pastéis de nata e Falmounth

 

Falmouth é uma pequena cidade no sul da Cornualha que vive do turismo e das actividades do seu porto que, convivendo com as marinas, não lhe estraga a paisagem. 

Estes lugares na Cornualha com as suas “praias” foram, até os ingleses descobrirem o Algarve e a Bacia do Mediterrâneo, os lugares preferidos para fazerem férias de praia... Ainda me lembra  da dificuldade que em 1982 tivemos em encontrar um parque de campismo! Hoje já não é assim, todavia estas pequenas cidades continuam com certo dinamismo estival que se virou para  outras actividades que não passam pela areia...

 

A que vêem aqui os pasteis de nata? É que passeando na Market Street de Falmouth deparei-me com esta montra:

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 Se fosse sozinha teria  entrado e indagado como chegaram aqui, mas a minha companhia é avessa a estas minhas indagações! 

Ele acha que é algum pasteleiro português que anda por aqui ou então algum inglês que de visita a Portugal se perdeu de amores por eles e procurou a receita no Google!!!

publicado por naterradosplatanos às 17:37 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 24.07.18

Dia 6 - A porcelana inglesa e o Eden Project

 

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Muita da porcelana inglesa nasceu aqui, mas a sobre-exploração da mina de caulino, matéria prima dessas maravilhas que vemos no Albert Museum e das que conquistaram a Europa abastada, esgotaram-na! 

A mina que era a céu aberto deixou na paisagem uma enorme cratera de paredes descarnadas e onde a água da chuva se acumulava... mesmo que no meio do verde envolvente era algo que feria a paisagem e urgia resolver.

 Da colaboração de geólogos, paisagistas, arquitetos, engenheiros e a de muitos  mais, financiado pela União  Europeia, nasceu o Eden Project !

 

O Eden Project é talvez a maior estufa do mundo e certamente o maior jardim botânico!

Na cratera que foi a mina, nasceram enormes cúpulas que abrigam dois dos biomas mais variados do Planeta: o Mediterranean Biome e o Rainforest Biome (floresta das chuvas), o Desertic Bioma até à data ainda não se concretizou.

 

O Rainforest Biome corresponde à maior floresta “em cativeiro”, floresta que também nos é permitido explorar de cima, numa suspensa e balançante estrutura metálica, mas certamente em segurança!

A humidade é enorme (+85%) e as temperaturas a cima dos 26º traduzem-se num ambiente equatorial sufocante... e não vá alguém sentir-se mal, numa pequena cabana há ar condicionado para esse alguém se recompor!

 

No Mediterranean Biome muitas eram do meu conhecimento  e lá estavam as figueiras, a vinha, as laranjeiras, as oliveiras depois todas as espinhosas do “maquis” e todas as ervas aromáticas que usamos nas nossas cozinhas. Eu disse que conhecia muitas, isto porque lá estavam também as espécies próprias de regiões da Austrália, África do Sul e Califórnia que têm as mesmas condições climáticas da Bacia do Mediterrâneo...

 

Nos jardins exteriores, as plantas dos campos britânicos e também da Europa, cobrem hoje o que há duas décadas eram parede descarnadas de uma mina ao abandono...

 

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publicado por naterradosplatanos às 18:49 | link do post | comentar
Segunda-feira, 23.07.18

Dia 5 - Salisbury - St. Austell

Depois de todas as milhas feitas e convertidas em quilómetros, 240, chegamos então a St Austell.

St Austel é uma muito pequena cidade, escolhida no mapa (atenção ao facto!) apenas por ser um ponto mais ou menos equidistante do que queríamos ver na Cornualha. Como cidade pequena, só tem hotéis pequenos e alguns com raízes em séculos passados como é o nosso, as cadeias de hotéis não chegam aqui!  

Remodelações a trás de remodelações chegaram até hoje com um certo charme! Claro, nada de elevadores, escadas a pique mas almofadadas por belas alcatifas; janelas de guilhotina mantém-se em madeira... nada de alumínios ou PVCs! 

 

 

A placa pendurada por cima da porta diz-nos chamar-se “Veado Branco”.

 

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publicado por naterradosplatanos às 21:07 | link do post | comentar

O GPS nunca eliminará os tradicionais mapas! (Resposta à Luisa)

 

Há uns tempos que ando para falar no assunto, mas tem  ido passando, mas hoje o comentário da Luísa leva-me a esclarecer :

 

  • no GPS só podemos ver o pormenor de uma pequena área, nunca em pormenor uma vasta área e muito menos a relação entre os lugares distantes dado que neste caso os nomes não são visíveis.

 

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  • no mapa, poderemos não ver o pormenor mas vemos a posição relativa dos lugares mesmo que eles estejam distantes. Além disso permite que previamente nos posicionemos simultaneamente em relação a diversos lugares... esta simultaneidade é impossível nos nossos GPS.

 

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Claro que o GPS entrou há muitos anos nas nossas viagens, aqui e além mar. 

Muitas vezes, quando somos guiados pela “nossa Mariazinha” penso como durante 14 anos percorremos a Europa só com mapas, como por três vezes viajamos aqui pela Inglaterra puxando uma caravana pela esquerda, viajando pelo Sul, atravessando Londres, chegando ao Yorkshire e ao Lake District...

 

Em resumo e pelo que se deduz das imagens, GPS e Mapas complementam-se e eu não dispenso os dois!

 

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publicado por naterradosplatanos às 20:26 | link do post | comentar

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