No Areeiro… comendo “boleima”

 

Há 38 anos, pelas férias do Carnaval, vim a Portalegre no intuito de encontrar uma casa para os próximos anos. Não só não encontramos nada no momento, como fiquei com uma perspetiva, na altura, não muito agradável: o Liceu para onde iria era velho, a cidade quase vazia de almas e pasme-se, não havia uma única pastelaria!!

 

Constatei o facto quando quis comprar uns bolinhos para a viagem no Sud Express de regresso a Lisboa. Nada, nem uma! Resolvi então entrar numa padaria para comprar um pãozinho e eventualmente fazer uma sandwich e foi então que tomei conhecimento delas. Eram/são uns quadrados feitos de massa de pão, recheados e pulverizados de açúcar e canela feitos num enorme tabuleiro de onde são cortadas só no momento de as venderem. Comprei dois. Quando na viagem desembrulhei o papel pardo em que vinham (e ainda hoje nele são embrulhadas) achei-as com péssimo aspeto e só o ter almoçado há muito tempo me fez prova-las. Na altura achei-as absolutamente sem graça mas, ”para quem tem fome não há ruim pão”!

 

Não voltei a compra-las seguramente durante anos e só quando os meus filhos as conheceram, e já não sei em que circunstâncias, é que eu passei também a gostar. Eles ainda hoje as adoram e como tal é presente certo quando os os vou ver.

Esse gosto já se transmitiu aos meus netos, mesmo aos mais pequenos, que as comem à maneira do anuncio das bolachas OREO, isto é, abrem-nas lambem-nas, comem-nas de seguida e depois como toda e qualquer criança e, perante os pais de cabelo em pé, chupam os dedos…

 

 

 

Fotografia tirada da Internet para quem não conhece a tradicional Boleima

publicado por naterradosplatanos às 17:06 | link do post