Reflexões e lembranças (não minhas) sobre o Euro 2020…

 

Não sei se haverá leitores meus que leiam o blog da Luísa* e por isso pedi-lhe licença para publicar o belíssimo texto que escreveu sobre o assunto.

Aqui fica ele:


FUTEBOL

 

 O jogo de ontem, que opôs Inglaterra a Itália, agarrou-me ao ecrã.  Eu, que não  gosto de futebol e não percebo nada daquilo, senti o meu coração dividido entre o país onde sempre fui imensamente feliz, a Itália da História e dos sabores, e a Inglaterra, onde bate mais de metade do meu coração. Sentada em frente da televisão recuperei a travessia de Siena para Milão, debaixo de neve, num pequeno carro alugado onde a mala mal cabia. Milão, Florença excessiva, Siena, S. Gimignano, a Toscânia onde, penso eu sempre, todos os impossíveis acontecem. Depois, Roma. E passeei de novo pelas praças, pelas trattorias, pelas mil igrejas, pelo cais do rio Tibre. Ah, e  os telhados de Roma, as varandas, as ruas de lojas com preços proibidos, o Hotel Inglaterra a contar do português D. Pedro II. E o jogo continuava, jovens no chão, encontrões, todos numa louca corrida ao golo, à vitória, à taça. A taça de vinho fresco, o Pinot Grigio Delle, o abraço entontecido, a alma encadeada de presente a acontecer. Prolongamento. Os ingleses a perderem a cabeça, o jovem William a revelar ansiedade, o pequeno George de olhoar desiludido, Buckingham Palace a encantar-me, o verde inglês, as madeiras escuras, os pubs cinzentos e a apple pie tão saborosa. 

Veio o prolongamento. E eu voltei a Notting Hill, caminhei até ao Swan, olhei o parque enorme e ousei dizer coisas de pensar na speakers corner, sem medo que alguém me condenasse. Penalties. Golo na minha felicidade, ali mesmo em Chester, olhando as rows, pensando que, apesar de tudo, Marvão é mais meu. A Itália a falhar, como é possível? e o Coliseu a assustar-me, a fazer-me sentir de facto insignificante. Inglaterra falhou e Windsor a receber-me com chuvinha cinzenta, casa de chá na rua estreita,   alguém a falar português também.

De repente, Itália erguia a taça. E a Fontana de Trevi, 26 metros de histórias contar, a acolher-me com ostras e vinho fresco!

Ah, que grande jogo! E que vitória merecida! Viva Itália!

 

 

publicado por naterradosplatanos às 19:43 | link do post