Lembrei-me...

Estas viagens em tempos festivos fazem-me lembrar sempre a minha meninice. Hoje, transpondo o Tejo, entrando na Beira Baixa, passando a Alta, atravessando o Douro percorrendo o planalto transmontano até quase à fronteira, lembrei-me delas.

 

Tinha o meu pai então um Opel Record- LC-26-38- se não me engano. Grande para os tempos mas não tão grande para transportar uma família com jquatro filhos como hoje se exige. Assim o meu pai e a minha mãe iam à frente e a miudagem lá a trás, 4 no lugar de 3! Devia certamente haver muita implicação embora hoje nada me venha à memória. Na realidade do que me lembra era a "chamada" feita pelo meu pai antes de arrancarmos, coisa a que achávamos imensa piada: D?, está dizia eu, L?, estou, respondia a minha irmã, N?,estou ... Era tão divertido!

Depois era a impaciência da chegada ao destino desse dia, ou o enjoo que atormentava dois de nós, ou as curvas que nos faziam cair uns sobre os outros e as respectivas queixas, já que de cintos de segurança não se falava!

 

Porém foi assim que o meu pai nos levou a conhecer o D. Afonso Henrique de espada em riste, nos "obrigou" a subir as escadas do Bom Jesus ou Santa Luzia, percorrer o Porto, ir ao Castelo do Queijo, admirar a Ponte de D. Luís e D. Maria, atravessar a da Arrábida... rumar a Sul "estudar" Coimbra, ouvir a lenda do D. Fuas Roupinho, admirar a Concha de S. Martinho do Porto... E etape a etape, vários anos e durante várias férias, paulatinamente, chegámos a Lisboa!

 

Teria eu na altura os meus treze anos. Hoje, percorrendo quilómetros em estradas largas e já sem curvas,  lembrei-me desses tempos felizes!

publicado por naterradosplatanos às 18:40 | link do post