Quarta-feira, 12.06.19

Vai-se perdendo o hábito de contar histórias! (a propósito do comentário da Luísa)

 

 

 

No tempo em que os livros infantis escasseavam, as histórias eram-nos contadas, o enredo obviamente era o mesmo: o lobo do Capuchinho Vermelho estava lá sempre, a bruxa má da Branca de Neve, o príncipe da Bela Adormecida também, o que mudava eram os pormenores e a Glória era pródiga em no-los mostrar como num filme! Por essa altura já sabíamos ler mas, os livros destinados a gente muito pequena não eram comuns... mais tarde chegaram-nos pela mão da nossa querida tia, os livros da Condessa de Segur, As Mulherzinhas, a Anne Shirley, o Feiticeiro de Oz e tantos outros, para a nossa idade de iniciadas nas leituras...

 

Vem tudo isto para dizer que hoje já não se contam histórias, até eu já não as contei aos meus filhos... hoje lêem-se-lhes histórias o que talvez até seja melhor, pois familiariza-os com os livros e incentiva-os a ler!

 

Com todos os meus três usei o mesmo processo, a partir do momento em que eles já eram capazes de ler. Comecei pelo Feiticeiro de Oz e a certa altura quando o episódio (capítulo) prometia um desenvolvimento emocionante ficava-me por aí, resistindo ao: lê só mais um bocadinho, mamã!

No dia seguinte de manhã e aconteceu com todos, lá estavam eles agarrados ao livro, que propositadamente eu deixara na mesinha de cabeceira!

publicado por naterradosplatanos às 10:25 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Sexta-feira, 07.06.19

O Ali-bá- bá e os 40 ladrões ...

 

 

A Glória chegou a casa da minha avó quando ainda tínhamos idade para gostar de ouvir histórias de encantar...

Chegou um dia depois de almoço e lembra-me desse momento como se fosse hoje, tinha uma grande trança loira e pele muito branca, mas não me lembra se tinha olhos claros. Vestia uma saia verde pregueada e uma blusa cor de rosa estampada de branco... Vinha de Lisboa onde como muitas, foi servir ainda miúda, por isso era mais “letrada” do que o comum das empregadas.

Não é pois de admirar que eu e a minha irmã não a largássemos sempre que estávamos em casa da minha avó, o que acontecia quase sempre!

A Glória era assim para nós uma espécie de livro tipo “365 História de Encantar ”; sabia uma imensidade delas contadas sempre com ênfase nos momentos emocionantes... estou a ver-nos encarrapitadas no móvel da cozinha enquanto  ela lavando a louça nos fazia voar pelo imaginário... foi por ela que pela primeira vez ouvi contar a história do Barba Azul e a do Ali-bá-bá e os 40 ladrões!

 

Porque me lembrei hoje disto? Porque me cruzei com um Sikh, que seguia  no meu passeio... e o seu turbante cor de laranja me fez lembrar de quem pela primeira vez me “levou” a uma gruta cheia de tesouros..

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À Gloria devo muitos momentos de encantamento e sabendo que já partiu... relembro-a aqui com saudade!

 

publicado por naterradosplatanos às 15:26 | link do post | comentar | ver comentários (7)

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