Terça-feira, 31.12.13

Na sequência do post sobre o Natal do Siamak e do blog "família de quatro"...

Patrícia, fui ver o blog que referiste, realmente só alguém muito especial é capaz de reunir forças para ultrapassar aquele momento, daquela maneira! Também quando era pequena alguém resgatou a nossa Noite de Natal quando dia 23 o teu bisavô teve de ser transportado de urgência para ser operado no Porto. Ficamos os quatro com a nossa Elvira... Para surpresa nossa, perto da hora da consoada o Sr. Adriano, grande amigo do meu pai nos foi buscar para passarmos a noite com a família dele. Isto foi quase há 60 anos, lembro-me apenas de que havia ananás de sobremesa, coisa rara para aqueles tempos, muita gente à mesa... o resto esqueci. Talvez algum dos meus irmãos, embora mais novos, recordem mais alguma coisa. Nesse Natal não houve presentes mas o Sr. Adriano deu-nos uns bonecos de chocolate iguais aos que ainda hoje podemos comprar! Quando nos levaram de novo a casa lembro-me da sensação de vazio...

publicado por naterradosplatanos às 17:24 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Quinta-feira, 21.11.13

A síndroma da Menina dos Fósforos

Era miúda mas já sabia ler o suficiente e compreender o que lia. Como sempre durante a nossa infância quem providenciava as nossas leituras era a minha tia e madrinha. Assim por ela chegou às nossas mãos o livro de capa cartonada "Os contos de Anderson" da Coleção Azul. Entre outros contos havia um intitulado " A Menina dos Fósforos", um conto triste, tão triste que me lembro de quanto eu chorei ao "visualizar" as cenas nele descritas. Provavelmente a maior parte tê-lo-á lido quando criança mas para quem já não se lembrar aqui fica o resumo: "Era véspera de Ano Novo, já noite uma menina mal vestida percorria as ruas da cidade, a neve caía... Na mão trazia umas caixas de fósforos que teria de vender antes de chegar a casa. Mas quem a essa hora lhas compraria? O escuro e o frio fizeram-na abrigar-se num canto da rua... Um após outro foi acendendo os fósforos que fugazmente lhe aqueciam as mãos, a certa altura a cada fósforo que acendia sucediam-se cenas de Natal no conforto das lareiras, das mesas recheadas de iguarias, de árvores de Natal abrigando presentes...e crianças rindo e brincando por todo o lado! Risca o último fósforo que lhe resta e é então que uma face lhe sorri. Sente que a toma nos braços... reconhece a sua avó que a aperta contra si e então tudo se esfuma... No dia seguinte os primeiros transeuntes encontram aninhada num canto da rua nevada uma menina já sem vida!" Que tem isto a ver com o título do meu post? Obviamente que não foi este conto, longinquamente lido, que tem a ver com o facto de sempre me sentir desconfortável em tempo de Natal. Quando me perguntam porque me sinto deprimida nestes tempos que se convencionou serem de pura alegria eu respondo: porque nesta época os felizes são mais felizes enquanto que os infelizes são igualmente mais infelizes... Os que estão no limbo entre estas duas situações, esses serão felizes apenas momentaneamente!

publicado por naterradosplatanos às 18:02 | link do post | comentar | ver comentários (5)

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